Há pouco tempo, conversando com o Valter, um amigo de longa data mas de pouca convivência, um cara de aproximadamente 55 anos, fiquei sabendo de sua situação financeira, o que me deixou bastante preocupado. Esta preocupação, porém, não é somente com Valter, mas com grande parte das pessoas, com faixa etária semelhante à dele.
Ele nunca fez plano de aposentadoria. Nunca se interessou por conhecer conceitos de educação financeira. Disse-me que sua responsabilidade era com a criação da família e que não sobrava nada para guardar. Quando conversamos, estava resignado e frustrado, julgando estar velho demais para iniciar um plano de aposentadoria.
Infelizmente, esta situação não é exclusiva do Valter. Ela é comum a muitas pessoas que estão na faixa etária entre 45 e 60 anos de idade.
O Valter não tem investimentos significativos. Guarda, quando pode ou quando sobra algum dinheiro, sem nenhum critério ou planejamento. Não tem noção de quanto tem guardado ou como estão distribuídos seus parcos investimentos. Ele tem um imóvel financiado que terminará de pagar aos 72 anos. Comprou um carro novo de luxo, por pressão da família, para pagar em 60 meses. Trabalha em um emprego há 18 anos, porém não vem se sentindo seguro. A empresa fez algumas demissões e seu cargo pode ser incluído em próxima rodada de demissões.
Por pressão de sua mulher, fez alguns exames médicos e foi aconselhado a iniciar dieta alimentar, bem como praticar atividades físicas para melhorar seu estado de saúde. Ele não acredita muito nisso. Diz que não vale a pena sacrificar os pequenos prazeres da vida.
É a única fonte de renda da família. Presta alguns serviços esporádicos para complementar a renda.
Esta situação nos é muito familiar. Conhecemos várias famílias que têm padrões de vida e de renda semelhante ao do Valter.
A maioria dos brasileiros se recusa a pensar em aposentadoria, porque julga que esta postura é de velho. Quando chega a idade próxima da aposentadoria, aí julga que é tarde e que não pode fazer mais nada. No fundo as pessoas acreditam que alguma coisa mirabolante poderá acontecer para solucionar seu problema. Mágicas não acontecem.
Quando lhe perguntei qual será sua renda quando requerer sua aposentadoria pelo INSS, disse-me que não tem a mínima noção. Imagina que a aposentadoria oficial cobrirá todas as suas necessidades. Sua renda líquida atual é R$ 9.500,00.
Conversei com ele a respeito de e disse-lhe que, independente de sua idade, é possível fazer um plano de aposentadoria e conquistar sua independência e liberdade financeira. Quando parar de trabalhar, ele não vai conseguir manter seu atual padrão de vida somente com a renda da aposentadoria oficial, do INSS. O teto máximo pago pelo INSS em 2015 é de R$ 4.673,00. Ora, o Valter tem uma renda líquida de aproximadamente R$ 9.500,00, e ele terá que fazer muitos cortes em seu orçamento. Considerando ainda que ele tem a prestação do imóvel, até os 72 anos, sua situação vai ficar pior e se tornará dependente da família, de amigos ou de instituições de caridade para poder se manter dignamente.
Na última vez que o encontrei, dei-lhe alguns conselhos que vou reproduzir aqui.
O primeiro passo é fazer um plano de aposentadoria. Definir sua situação atual, seus objetivos e metas para o futuro e elaborar estratégias para conquista-los. Para fazer o plano de aposentadoria é necessário alguns conhecimentos de orçamento pessoal e do mercado financeiro. O Método PlanAps tem um modelo de planejamento da aposentadoria que é adequado às características do Valter. O objetivo do método PlanAps é a formação de um patrimônio que gere retorno financeiro e complemente a renda da aposentadoria para pelo INSS. No caso do Valter, ele deve acumular um patrimônio que lhe renda em torno de R$ 5.000,00 que somados aos R$ 4.673,00 do INSS, lhe garantirá a mesma renda atual e consequente liberdade financeira.
Independente do início do planejamento da aposentadoria, eu lhe dei mais alguns conselhos, os quais seguem:
Faça um controle orçamentário – comece acompanhando todas as receitas, os ganhos e também as despesas e os gastos. Analise aqueles que podem ser reduzidos, ou até eliminados. Com este procedimento ele conseguirá gerar um saldo financeiro que deverá ser poupado.
Pague suas dívidas de curto e médio prazo – gerando a sobra de algum dinheiro após o controle orçamentário, procure saldar as dívidas de prestações, cartão de crédito e outras que exigem um pagamento mensal.
Renegocie suas dívidas – Aquelas dívidas que não puderem ser pagas em sua totalidade, podem ser renegociadas com taxas de juros mais atrativas. É só conversar com o gerente do banco. Saiba que é possível transferir dívidas de uma instituição financeira para outra. É o conceito de portabilidade. No site do Banco Central é dada a seguinte orientação; “Portabilidade de crédito é a possibilidade de transferência de operações de crédito (empréstimos e financiamentos) e de arrendamento mercantil de uma instituição financeira para outra, por iniciativa do cliente, pessoa natural ou pessoa jurídica, mediante liquidação antecipada da operação na instituição original. As condições da nova operação devem ser negociadas entre o próprio cliente e a instituição que concederá o novo crédito”.
Lembre-se que o Valter comprou um carro de luxo para ser pago em sessenta meses, cinco anos. Este tipo de dívida deve ser renegociada.
Pague seu imóvel financiado – Aposentadoria e prestação de imóvel não combinam. Este imóvel deve estar pago até o início da aposentadoria. Então, é importante que o Valter procure reduzir o prazo do financiamento ou renegociar a dívida de forma que esta não interfira no seu orçamento após se aposentar.
Invista a poupança – após fazer o controle orçamentário, pagar e renegociar as dívidas, o Valter conseguirá gerar poupança. Esta poupança deverá ser investida no mercado financeiro para gerar retorno na forma de juros. A partir deste momento, o Valter terá sua renda aumentada e neste processo poderá gerar mais poupança.
Reinvista o retorno dos investimentos – o reinvestimento do retorno dos investimentos vai acelerar a formação de um patrimônio financeiro que a cada ano vai gerar mais renda.
Faça trabalhos extras nas horas vagas para aumentar a renda – os trabalhos extras irão acelerar a formação do patrimônio, o qual permitirá que o Valter pare de trabalhar mais cedo e tenha independência financeira. Trabalhe enquanto você pode até ter um patrimônio que lhe garanta sua liberdade e independência financeira.
Com estas rápidas orientações, espero ter ajudado você, e o Valter, a iniciarem seus planos de aposentadoria para que possam parar de trabalhar o quanto antes, com liberdade e independência financeira.
Sucesso em sua empreitada.
